Carta de convite para visto de turismo: como redigir corretamente
Este guia tem caráter apenas informativo e não constitui assessoria jurídica de imigração; diante de perfis familiares com histórico migratório complicado, consulte um advogado licenciado nos EUA. A carta convite visto turismo é um daqueles documentos que muita gente acha que precisa, mas o Departamento de Estado diz o contrário: para solicitar um visto de visitante não é preciso carta de convite nem Affidavit of Support e, se você decidir levá-la, ela não é um dos fatores usados para aprovar ou negar o visto. O solicitante deve se qualificar pelos próprios vínculos com seu país, não pelas garantias de parentes ou amigos nos EUA. Este guia explica o que o consulado realmente avalia e, se mesmo assim você quiser levar uma carta, como redigi-la para que seja exata e coerente com seu DS-160.
1. O que o Departamento de Estado diz sobre a carta
Antes de escrever qualquer coisa, vale saber o que o consulado analisa. Um oficial consular entrevista você para determinar se você se qualifica e pode pedir documentos adicionais que comprovem o propósito da viagem, sua intenção de sair dos EUA ao final dela e sua capacidade de pagar todos os custos. Segundo a página oficial, a comprovação do seu emprego ou dos seus laços familiares pode bastar para mostrar o propósito da viagem e sua intenção de voltar. Nenhum desses pontos depende de uma carta convite visto turismo.
Há um caso que a página oficial menciona de forma expressa: se você não puder cobrir todos os custos da viagem, pode mostrar evidências de que outra pessoa vai pagar parte ou a totalidade. Isso se comprova com evidências; a carta, sozinha, não é um fator da decisão. Os documentos pedidos para a entrevista são o passaporte, a página de confirmação do DS-160, o comprovante de pagamento da taxa se você pagar antes da entrevista e uma foto impressa se o envio falhou; o Departamento de Estado também recomenda não fazer planos finais nem comprar passagens antes de ter o visto. Veja a lista completa na página oficial do visto de visitante e, se tiver dúvida sobre qual categoria corresponde a você, veja antes tudo sobre o visto B1/B2.
2. Identifique o anfitrião certo
Se você decidir pedir uma carta, pense antes em quem vai escrevê-la. Você deve se qualificar pelos seus próprios vínculos com seu país, e não pelas garantias de parentes ou amigos nos EUA, mas o que a carta disser precisa ser verdadeiro e coincidir com o que você declara no DS-160.
O importante é a honestidade, não o perfil do anfitrião. Se você vai ficar na casa de um parente, declare isso no DS-160, mesmo que a situação migratória dele seja irregular: o formulário pergunta onde você vai se hospedar e sobre seus parentes nos EUA, e responder com falsidade para esconder isso é uma declaração falsa que pode levar à recusa permanente do visto, segundo o FAQ oficial do DS-160. Se houver histórico migratório complicado na família, consulte um advogado antes da entrevista em vez de omitir dados.
3. Estruture os 7 dados que vale incluir
Não existe formato oficial, porque a carta não é um requisito. Se você escrevê-la, uma carta convite visto turismo clara pode reunir estes sete elementos:
- Dados completos do anfitrião: nome legal, endereço exato nos EUA, telefone, e-mail, data de nascimento e status migratório (por exemplo, cidadão ou residente permanente).
- Dados completos do convidado: nome como aparece no passaporte, número do passaporte, data de nascimento, país de residência.
- Relação explícita: "minha irmã", "minha mãe", "meu amigo da faculdade desde 2015". Vago não funciona.
- Propósito da viagem: turismo familiar, visita de aniversário, formatura, casamento, tratamento médico. Específico, não genérico.
- Datas exatas: dia de chegada e dia de saída, não "aproximadamente 2 semanas".
- Endereço da hospedagem: mesmo ou diferente do anfitrião.
- Cobertura de despesas: quem cobre o quê (passagem, hospedagem, refeições, transporte interno). Se o convidado cobre tudo, diga isso também.
4. Redija o corpo em tom formal e conciso
Uma página é suficiente. Duas páginas dispersam a mensagem. Coloque primeiro os dados que importam: quem convida, quem é convidado, qual a relação, entre quais datas e onde a pessoa vai se hospedar.
Evite floreios: nada de "querida embaixada" nem parágrafos emotivos sobre quanto sente falta da família. O tom é o de uma carta de negócios cortês. Comece com "Por meio desta, eu [nome completo], [status], domiciliado em [endereço], convido minha [relação] [nome do convidado] a me visitar nos EUA de [data] até [data]..." e siga com os detalhes. Encerre com assinatura manuscrita, nome impresso, telefone e data.
5. Anexe evidência documental
Se alguém nos EUA vai pagar parte da sua viagem, o que conta são as evidências de que outra pessoa cobrirá esses custos, que a página oficial permite apresentar. O que o anfitrião pode juntar:
- Cópia do passaporte americano ou do green card vigente.
- Comprovante de domicílio recente (conta de serviços, mortgage statement, lease).
- Carta de emprego ou última declaração de impostos (se cobre despesas).
- Se convida por evento (casamento, formatura), convite oficial ao evento.
Lembre que nem a carta nem esses anexos substituem seus próprios vínculos: a página oficial deixa claro que você deve se qualificar pelos seus laços com seu país. Leve esses papéis organizados caso o oficial peça provas de quem vai pagar. O agendamento e o pagamento da taxa são feitos no serviço oficial de agendamento do seu país (no Brasil, ais.usvisa-info.com); se espera longos tempos de agendamento, consulte os tempos de espera oficiais por consulado.
6. O que NÃO incluir na carta convite visto turismo
Coisas que vale deixar de fora:
- Promessas de "assumir qualquer responsabilidade legal". A página oficial deixa claro que o solicitante deve se qualificar pelos próprios laços, não por garantias de parentes ou amigos nos EUA.
- Declarações de que o convidado "definitivamente retornará". Quem avalia isso é o oficial, com as suas provas, não o anfitrião.
- Frases emocionais sem conteúdo ("de todo o coração", "será a melhor experiência").
- Dados contraditórios com o DS-160 do convidado (datas distintas, propósito distinto, endereço distinto).
- Reconhecimento de firma ou apostila: a carta não é um requisito, então também não há formato certificado a cumprir.
Mantenha a carta seca, exata e verificável.
7. Decida se vai levar a carta na entrevista
Uma carta convite visto turismo bem feita vive na sua pasta, não na sua boca. Como ela não é um dos fatores da decisão, você não precisa mencioná-la; se o oficial pedir algum documento sobre sua hospedagem ou sobre quem vai pagar, entregue. Se ele não perguntar, ela fica guardada.
Levar e não usar é perfeitamente válido. Centrar suas respostas na carta não ajuda, porque o que o oficial avalia é a sua própria situação, como o propósito da viagem, sua intenção de voltar e sua capacidade de pagá-la. A regra simples: tenha a carta pronta, mas não a coloque no centro da conversa.
Resumo: carta clara vs carta que gera dúvidas
| Elemento | Carta clara | Carta que gera dúvidas |
|---|---|---|
| Veracidade | Tudo bate com seu DS-160 | Dados ocultos ou diferentes dos do formulário |
| Relação | Documentável e específica | Vaga ("primo de um amigo") |
| Datas | Exatas, coerentes com o DS-160 | Aproximadas ou contraditórias |
| Hospedagem | Endereço concreto | "Na casa da minha família" sem localização |
| Despesas | Quem paga o quê, com evidências | Só "tudo coberto" sem respaldo |
| Anexos | Documentos de quem paga, se alguém paga | Sem documentos de respaldo |
| Tom | Formal e conciso, uma página | Emotivo, duas páginas, floreado |
Antes de imprimir e assinar, leia a versão final em voz alta. Se soa como um e-mail de trabalho bem escrito, está pronta. Se soa como uma carta de Natal longa, encurte. Para preparar o resto da sua entrevista, veja nosso guia sobre o que esperar na entrevista de visto.
A carta é um complemento opcional, não o evento principal. O que o oficial avalia na entrevista é se você se qualifica para o visto segundo a lei, com base na sua solicitação e nas suas respostas. Pratique essa conversa com nosso simulador de entrevista com IA antes da entrevista real. O simulador ajuda você a perceber onde seu relato se choca com o que diz sua carta convite visto turismo, e dá tempo de ajustar antes da entrevista.
Perguntas frequentes
É obrigatória uma carta de convite para tirar o visto de turismo?
Não. O Departamento de Estado informa que não é preciso carta de convite nem Affidavit of Support para solicitar um visto de visitante e que, se você decidir levá-la, ela não é um dos fatores usados para aprovar ou negar o visto. Se outra pessoa vai pagar parte da viagem, o que você pode mostrar são evidências de que ela cobrirá esses custos.
Meu tio indocumentado pode escrever a carta de convite?
A carta não é um requisito nem um fator da decisão, então você não precisa dela de ninguém. O que importa é não esconder informações: se você vai ficar na casa dele, declare isso no DS-160, porque uma resposta falsa pode levar à recusa permanente do visto. Se a situação dele preocupa você, consulte um advogado antes da entrevista.
A carta de convite precisa de reconhecimento de firma ou apostila?
Não. Como a carta não é um requisito para o visto de visitante, também não existe exigência de reconhecimento de firma ou apostila. Se decidir levá-la, basta que seja clara, assinada e coerente com seu DS-160. Confira sempre as instruções do site da embaixada ou do consulado onde vai solicitar o visto.
O que acontece se a carta diz coisas diferentes do meu DS-160?
Gera dúvidas desnecessárias. Mesmo que a carta não seja um fator da decisão, o DS-160 é: os oficiais usam essas informações, junto com a entrevista, para decidir. Se datas, propósito ou hospedagem da carta não batem com o formulário, corrija a carta ou, se o erro estiver no DS-160, preencha um novo antes da entrevista.
Devo entregar a carta de convite no início da entrevista?
Não é necessário. Mantenha a carta na sua pasta e entregue só se o oficial pedir documentos sobre hospedagem ou sobre quem paga. Como ela não é um dos fatores da decisão, oferecê-la sem que peçam não acrescenta nada.